Vila Dom João Antônio Pimenta

   Grande parte da população capelinhense reside em distritos e na zona rural em seus arredores: cerca de 1/3 de sua população total. São v...

   Grande parte da população capelinhense reside em distritos e na zona rural em seus arredores: cerca de 1/3 de sua população total. São vilarejos bucólicos: igrejinhas, casas simples, pessoas humildes, portas abertas para um cafezinho, corações abertos para uma boa prosa!



   Esta é a Vila Dom João Pimenta, uma das comunidades rurais de Capelinha, distante apenas 10km, na estrada que segue em sentido a Água Boa/MG. Aqui vivem pouco mais de cem pessoas, e milhares de histórias! Nós, é claro, fomos em busca de viver um pouquinho deste lugar...


Estrada do Paiol Velho | Foto: Thiago Kling
   O pequeno povoado, que pode ser avistado da BR-120, é mais conhecido como Paiol VelhoIsso porque ali havia uma fazenda, onde guardava-se milho e feijão em um grande galpão. Era a fazenda da Senhora Maria Charrua (embora sem nenhum registro, seu nome é conhecido graças às histórias contadas de geração em geração). Quando ela faleceu, suas terras ficaram para seus familiares. Por causa do grande galpão, a localidade foi chamada de Paiol de Charrua, e logo depois, Paiol Velho.
   Ali estão a Escola Municipal Camélia Pimenta, um par de ruas (Carangola e Caratinga), casa paroquial, posto de saúde, uma venda... Mas o único marco referencial do local é a Igreja de Vila Dom João Pimenta.


Igreja de Vila Dom João Antônio Pimenta | Foto: Mallê
   A igrejinha também tem história! Não muito distante de onde é hoje o lugarejo, havia outra propriedade rural, onde viviam Dona Venância e o Sr. João Batista Figueiredo. Era a Fazenda Santa Cruz. Quando o marido de Dona Venância faleceu, seus filhos eram ainda pequenos. Fortunato, o mais velho, tinha apenas 7 anos na ocasião. Dona Venância sentia o peso de cuidar da fazenda e dos filhos sozinha, e por isso colocou os filhos sob proteção de Santo Antônio, padroeiro da família e de todos os seus descendentes. Na casa, havia uma sala com a imagem do santo, lugar conhecido como Trono de Santo Antônio.

Detalhe da Igreja, dedicada ao patrono da família de Dona Venância | Foto: Gilberto
   No dia 08 de agosto de 1870, Dona Venância faleceu, aos 70 anos de idade. Seus herdeiros cuidaram da imagem até que chegasse às mãos do Monsenhor Domingos Pimenta, e, depois, de Dom João Pimenta, que a colocou provisoriamente no Palácio Diocesano de Montes Claros.
   Os funcionários da fazenda foram criando famílias e construindo pequenos ranchos ali, com autorização do herdeiro proprietário, e vários vizinhos foram aparecendo nas redondezas.
   Muitos anos depois, foi construída uma capela para que os moradores da localidade pudesses exercer sua fé. Pode-se dizer que a história da Vila Dom João Pimenta é extremamente ligada à história da capela, pois depois de sua construção, o lugar foi crescendo.
   A imagem de Santo Antônio permaneceu na capela durante longo período, até que o Cônego José Gabriel, com medo de qualquer ação indevidas, recolheu a imagem e deixou sob guarda de Maria Ester Pimenta de Figueiredo, sendo exposta somente em dias festivos.

   Caminhando pela terra vermelha daqui, encontramos pessoas amigáveis e simpáticas. Num primeiro momento, ficaram um tanto ressabiadas com nossa presença. "Moço, do que vocês estão tirando foto?". Depois, riram. Acharam engraçado o fato de estarmos fotografando "a roça". Para eles, aquela é a cena cotidiana; vista de todos os dias, torna-se monótona e desinteressante. Mas para nós, cada detalhe revelava um cantinho bucólico, esquecido pelo tempo, cheio de tradições genuínas. E não nos enganamos! Ali a vida segue leve e devagar...


A vida no interior | Foto: Gilberto

Amizade | Foto: Mallê
   Dona Maria gentilmente abriu as portas de sua casa pra nós. Ali, aprendemos um pouquinho mais sobre a lida na roça, e todas as suas belezas.
   Na cozinha, pendendo do teto, cachos de banana para amadurecer. Acima do fogão a lenha, um "varal" para defumar carne à moda antiga. Na horta, nos surpreendemos com vegetais enormes e orgânicos, do tamanho do Gilberto!


Cacho de banana amadurecendo | Foto: Thiago Kling
Cachos de banana amadurecendo | Foto: Thiago Kling
Carne sendo defumada | Foto: Mallê
Horta com verduras do tamanho do Gilberto! | Foto: Thiago Kling
   No curral, cheirinho de vida no campo! E aquela bicharada! A roça naquele dia parecia uma maternidade: bezerrinhos pequeninos, que haviam nascido há apenas 15 da nossa visita; filhotinhos de cachorro, de porcos, e até um ovinho em um ninho de passarinho!


Novilha recém nascida | Foto: Mallê
Garrotes recém nascidos | Foto: Thiago Kling
Cambaxirra, pássaro comum na região | Foto: Thiago Kling
   E como se tudo isso já não fosse o bastante para um passeio de domingo, ainda vimos de pertinho como é feito aquele queijinho mineiro delicioso! Pudemos acompanhar todo o processo, e experimentamos tantos quantos pudemos, claro!


Como é feito o queijo mineiro | Foto: Mallê
Queijo mineiro pronto para ser saboreado | Foto: Mallê
   E assim, nós nos despedimos desse vilarejo, gratos por cada experiência e aprendizado.
   Minas Gerais é apaixonante em cada um dos seus cantos. Guarda segredos que só esperam ouvidos atentos pra se revelarem. A cada quilômetro percorrido, temos mais certeza de que cada pedaço de chão vale a pena!

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2 comentários

  1. Devo esclarecer que é incorreta a informação do primeiro parágrafo desta matéria, ao afirmar que "A maior parte da população capelinhense reside em distritos e na zona rural em seus arredores." Há 10-15 anos que a população da sede urbana de Capelinha corresponde a 2/3 da população total do município. Atualmente, apenas cerca de 10.000 habitantes residem na zona rural, contra 28.000 - 29.000 na cidade.

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    1. Olá, José Carlos!

      É um prazer recebê-lo em nossa página! Somos grandes entusiastas do seu trabalho, pela importância que tem para Capelinha e nosso estado!

      Ficamos agradecidos por seu comentário, e vamos corrigir a matéria. Muito obrigada por nos doar um pouquinho de seu tempo e de seus conhecimentos pra que possamos melhorar as nossas matérias! Caso tenhamos cometido mais algum equívoco, ficaremos contentes em saber e ter a oportunidade de corrigir.

      Nossa gratidão!
      Um abraço, com admiração...

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