Capelinha, a Cidade do Café

   Um cafezinho mineiro é bom, né? Agora imagine estar em Minas Gerais, na cidade do café?! Aqui é possível conhecer muito sobre este unive...

   Um cafezinho mineiro é bom, né? Agora imagine estar em Minas Gerais, na cidade do café?! Aqui é possível conhecer muito sobre este universo, desde o plantio, a colheita, até o processo de industrialização. E como não poderia faltar, é claro, a melhor parte: experimentar!



   A história de Capelinha com o café vem de muitos anos atrás... Por volta dos anos 1970, o Brasil passou por uma forte geada que atingiu todo o país, incluindo o sul de Minas. Toda a produção das plantações foi perdida. Isso fez com que os cafeicultores começassem a buscar novos lugares para o cultivo.
   Em visita à região de Capelinha, o Sr. Walter Palmeira ficou encantado com as lavouras com as quais se deparou, pois estavam muito bonitas em pleno mês de julho, quando dizem já não ser comum encontrá-las tão vistosas. Além disso, havia muita samambaia. A presença dessa planta indica que o clima e a terra são ideais para plantio de café, que exige condições semelhantes. A notícia se espalhou, e muitos investidores chegaram confiantes.
expedição pão de queijo experiência
Lavoura de café na zona rural de Capelinha, julho/2017 | Foto: Mallê
   Andando pela cidade nos dias de hoje, percebemos como o café se tornou um elemento importante e fortemente presente no dia-a-dia dos moradores, de diversas formas.

Grãos de café. | Foto: Thiago Kling
   Algumas pessoas chegam a deixar seus empregos temporariamente para trabalhar nas lavouras em época de colheita. O valor que recebem acaba compensando muito, apesar do curto período de duração.
   Foi durante uma madruga fria que partimos rumo a uma plantação para acompanhar um dia da colheita e conhecer um pouco mais da realidade desses trabalhadores. 


A Colheita

   Os primeiros raios de sol ainda surgiam tímidos em meio às nuvens densas quando os trabalhadores chegaram.
Nuvens densas bloqueando o sol. | Foto: Thiago Kling 
   Pouco a pouco, foram surgindo homens e mulheres, encolhidos por causa do frio, subindo as ruas entre os pés de café. Nós, ainda sonolentos, nos acostumávamos lentamente com tudo. Eles, já posicionavam suas lonas.
Trabalhadores chegando à colheita. | Foto: Mallê
   Não demorou muito para que ouvíssemos muito barulho por todo lado no cafezal. Isso porque a maioria utilizava uma máquina para colher. Essa máquina é como um cabo de vassoura com um motor em uma das extremidades e, na outra, uma peça que se assemelha a duas mãos abertas, com dedos esticados. Quando acionada, essa peça vibra, fazendo os frutos caírem do pé. Seu cabo longo ajuda a alcançar os galhos mais altos, sem necessitar de escada.
Utilização da máquina de colheita. | Foto: Mallê
   São poucos os que ainda fazem a colheita de forma manual. Seu Francisco* é um deles, e nos explicou algumas coisas: "Olha, com a mão a gente consegue fazer uns 5, 6 sacos num dia. Com uma máquina dessas aí, num dia dá pra fazer quase 20 sacos. A diferença é grande. Mas a (máquina) mais barata é por volta de uns R$ 1.800,00... Tem umas melhores, mas são mais caras, né?!".
   Colher café com as mãos é uma tarefa árdua: os galhos têm brotos que ferem a pele com o atrito. Vimos algumas pessoas utilizando luvas, mas Seu Francisco prefere não usar. "É tanto calo, a mão já tá tão grossa, que eu nem sinto nada mais" - diz.
As mãos calejadas colhem café. | Foto: Mallê
   Independente da forma utilizada para tirar os grãos do galho, dali pra frente, o procedimento é o mesmo. Os grãos vão caindo na lona. Com eles, caem também muitas folhas. O excesso de sujeira é removido depois, deixando apenas os grãos do café.
Grãos de café caindo na lona durante a colheita. | Foto: Thiago Kling.
Remoção das folhas da lona. | Foto: Thiago Kling.
Grãos de café na lona, após remoção do excesso de folhas e galhos. | Foto: Mallê
   Os trabalhadores que iniciam a jornada junto aos primeiros vestígios da manhã, deixam a lavoura às 16h, depois de muito sol, poeira, e as mãos latejando. Receberão o pagamento no final da semana, de acordo com a quantidade de sacos que conseguirem completar no período.
Trabalhador deixando a lavoura após dia cansativo de trabalho. | Foto Mallê
   O café colhido é, então, espalhado em uma área plana, de terra, chamada de terreirão. Ali, com o sol, vai secando aos poucos. De tempo em tempo, é preciso mudar a posição dos frutos para que sequem por igual. E ao final do dia, amontoa-se em um único monte, cobre-se com uma lona, para que não fique sob a neblina da noite.
Café secando no terreirão. | Foto: Thiago Kling
   Depois de seco, é peneirado para remover o excesso de terra, levado para uma máquina que remove sua casca. Em seguida é ensacado, e está pronto para ser vendido às fábricas locais.
Café seco sendo peneirado. | Foto: Mallê

   Alguns viram uma outra possibilidade: Elza é artesã e mora na comunidade rural Cisqueiro, onde faz esculturas de barro. Este é um artesanato tradicional do Vale do Jequitinhonha. Mas ela tem um diferencial: retrata cenas do cotidiano, tendo o café como temática. Reconhecer suas peças não é difícil, basta procurar pelos grãozinhos do fruto!
Elza, artesã local que usa o café como temática de suas peças. | Foto: Mallê
   Capelinha possui mais de dez marcas de café! Suas várias fábricas podem ser visitadas. Estivemos em uma delas para entender um pouco mais sobre como ele vai parar em nossas mesas.

Visita à Fábrica

   Os cafeicultores locais apresentam uma pequena amostra à fábrica, que faz a análise e compra uma grande quantidade de sacas para armazenar. São muitos sacos de estopa empilhados; um cenário impressionante! 
Sacas de café empilhadas no estoque da fábrica. | Foto: Mallê
   Ali no depósito, os grãos estão secos, mas cheios de impurezas. Ainda não passaram por nenhum procedimento.
Grãos de café antes da remoção de impurezas. | Foto: Thiago Kling 
   As primeiras etapas são a pré-limpeza e a limpeza. Uma máquina remove gravetos, folhas, terra, pedras e outros tipos de resíduo.
Área de pré-limpeza e limpeza. | Foto: Thiago Kling
   O café limpo é aspirado e levado para a torra. Em seguida, passa pela moagem e é feita a mistura de Arábica e Conilon. A quantidade de cada um desses tipos na mistura é que vai indicar se o produto final será o pó tradicional ou o extra-forte. O pó é então empacotado de forma mecanizada.
Empacotamento mecanizado. | Foto: Mallê
   As embalagens individuais (250 ou 500g) são condicionadas em fardos de 5kg e transportadas para o comércio.
Esteira leva os pacotes individuais lacrados até os funcionários, que montam os fardos. | Foto: Mallê
   Todo o processo é automatizado, garantindo a pureza do produto. Os funcionários têm contato com o café apenas quando colocam os grãos na primeira máquina, e depois, para montar os fardos.
Funcionário operando sistema que controla o maquinário. | Foto: Mallê
   Passar por essas experiências permitiu que entendêssemos tudo o que acontece antes do café chegar à nossa mesa, o que nos ajuda a valorizar o que consumimos e o trabalho de tanta gente.
   Além das histórias, trouxemos conosco a memória do cheirinho bom e o sabor único de um café fruto de tamanha dedicação!

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2 comentários

  1. Melhor café. Pra onde eu mudo eu levo uns comigo. Nunca consigo me adaptar a outros cafés de mesa.

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    1. Ô Lucas, nem fale cara...
      Voltei pra Petrópolis esta semana e senti uma baita falta, meus pais me cobraram do porquê não ter trazido café desta vez. A Mallê viciou o povo aqui de casa!

      Agradecido por comentar e participar do nosso blog, espero que encontre aqui muitos olhares sobre esse estado -de alma- chamado Minas Gerais.

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